Amamentar dói.

amamentar foi mais uma das escolhas difíceis que fiz com a maternidade. O ato em si é sublime, algo que você faz pelo seu bebê e que tem resultados imediatos. a conexão, o cheiro, o coração batendo junto, tudo isso é “priceless”. O que ninguém me contou é que esse momento lindo vinha em conflito entre renúncias e comprovações científicas. Que você tem que escolher a dor que esse processo traz para os principiantes, e também tem que abrir mão de uma parte de você sobre a qual você perde o controle por tempo indeterminado. E para completar, tem a exposição - que muitas não se importam, mas que para mim era o fim do mundo. Eu não gosto de me expor, Logo, tirar a roupa em público em prol de um bebê que tem várias necessidades naquele momento, pra mim, foi um desafio. Perdida entre “com essa roupa é fácil, com essa roupa é difícil”, a gente se limita até no figurino. E uma baita lição! A maternidade faz a gente escolher muitas coisas de uma forma diferente. E justifica de uma forma que o nosso egocentrismo não parece mais uma escolha tão óbvia. O que acontece com o “eu” quando existe um alguém ali que precisa do alimento, do calor, do ritmo, do cheiro e da segurança que somente o colo e o peito podem dar? Escolher o outro parece algo tão sem sentido, mas quando falamos dos nossos filhos as peças se encaixam. E depois deles, aprendemos tantos outros seres que importam também, não pq nos anulamos, mas pq podemos contribuir. Existem tantas outras coisas que me deixam desconfortáveis. Escrever aqui, dividindo o que penso e sinto no mais íntimo dos meus pensamentos também expõe uma nudez de alma. E de alimento. De acolhimento. De calor e voz humana como alguém que diz “calma, é só uma fase, vai passar! É a escolha que fazemos pelo outro e que no final nos beneficia mais do que a eles. Me lembro de ver diferenças na saúde so Dan - e no meu leite - quando ele mamava no peito. Era mesmo impressionante ver mudar cor, consistência, o cheiro do leite materno. Era o incentivo para continuar. E o mesmo acontece aqui. Quando percebo que rasgar meu coração trata a ferida de alguém que tá lá longe (e que eu gostaria de estar perto) e que pensa nas dificuldades de continuar, que precisa de uma palavra de ânimo, de incentivo, e vem aqui e descobre que somos todos humanos. Que temos aflições e angústia - mas que também existem respostas para elas, mesmo que seja só o tempo. Sentir-se sufocada com algum peso, seja de ser mãe, de ser de ser filha, de ser mulher é uma fase que vai passar, como q amamentação passou. Um dia meu filho acordou e não queria mais o meu peito. E ao invés de ficar feliz, fiquei triste pq aquela exposição me fez mais forte e o fez forte também - até o ponto que ele não precisava mais de mim. O tempo todo estamos lidando com conflitos das escolhas. E escolher nos expõe, nos desnuda. E nos fortalece. Reconhecer uma fragilidade nos torna mais fortes, até o ponto de abandonar o leite materno - algo que antes era tão essencial, de repente se torna ineficiente. Não pq perde seu efeito, mas pq perde seu sentido. “a caverna que você tem medo de entrar guarda o tesouro que você procura”




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