doses de disciplina positiva

Oiii

hoje minha carta vai para você, pq tivemos uma conversa sobre comportamentos….lembrando de quando a gente ainda era criança e de como as coisas “funcionaram” para a gente… e ai pensei em uma situação que me marcou muito quando o Dan ainda era bebe, um pouco antes dele começar a andar e estávamos na casa de uma amiga que quis pegar ele no colo e ao passar ele para o colo dela, ele começou a dar tapas na cara dela. Fiquei chocada, sem saber direito o que fazer e um pouco por causa da vergonha de ter um filho (ainda que baby) batendo em alguém, minha reação foi dar um super tapa na mão dele. O olhar chocado dessa amiga, que tentou me explicar que ele era apenas um bebê me fazer olhar para dentro e questionar minha reação. Só que eu realmente acreditava nessa teoria antiga que se eu permitisse que ele me batesse ou batesse em qualquer pessoa, quando ele fosse mais velho eu não teria controle sobre ele.

Só que fui tomada por um sentimento avassalador de estar cometendo uma injustiça com meu filho me fez buscar mais sobre o que fazer felizmente encontrei algumas respostas que foram para mim, grandes lições.

A primeira delas é que ele bateu em uma pessoa que queria pegar ele no colo e ele não queria ir no colo dela. Não era pessoal, não tinha nada a ver com a pessoa, mas simplesmente ele não queria trocar o colo conhecido e aconchegante da mãe para ficar no colo de uma pessoa estranha. (e estranha podemos considerar qualquer pessoa que não tenha contato com ele todos os dias). Nossos filhos nem sempre querem beijos, abraços e colo, e não importa se estamos falando de pessoas que amamos muito e não queremos que se sintam rejeitadas por eles. Por isso, desse dia em diante, não forcei conexões dele com pessoas, por mais importantes que fossem na minha vida. Elas precisariam conquistar o próprio espaço na vida dele também.

A próxima lição vem sobre o comportamento dele. Ele não sabia outra forma de se comunicar, nem controlar o que sentia e isso ia além do controle corporal e da maturidade dele na época (e ainda hoje, na verdade). A mensagem que ele tentou comunicar foi “mãe, eu não quero outro colo, estou bem aqui”. e quando o forcei a ir para o outro colo, ele comunicou de novo “não quero” e bateu na pessoa. Eu respondi com um tapa e uma bronca, e ele chorou. Que confuso deve ter sido na cabeça de um bebê ter que comunicar que está desconfortável e a mãe responder “faça o que estou mandando e pronto”

e hoje na nossa conversa você disse como muitas vezes a sua forma de comunicar também foi agressiva, porque era agressiva a forma que você recebia correção.

Acho que o mais importante é poder identificar as consequências de algumas escolhas inconscientes e de alguns mitos e crenças que carregamos e parece algo nosso, verdadeiro. Imagina eu acreditar que o bebe precisa de uma disciplina agressiva para ser corrigido? Existem tantas outras formas assertivas para educar uma criança que o simples fato de não termos morrido com a educação que recebemos não é suficiente para repetir esses padrões com nossas crianças.

Fico feliz porque podemos conversar e porque temos intimidade para que você entenda as razões para eu ter escolhido educar meu filho através da disciplina positiva - essa mesma que as pessoas confundem com ser permissiva ou não ter autoridade sobre os filhos.

E sabe que nem é tão controverso assim? a disciplina positiva é homeopatia da educação infantil. Os resultados parecem mais demorados e exige muito do nosso comprometimento, mas são resultados duradouros, eficazes.

Então, estou passando aqui para te agradecer pq mais uma vez você me ajudou a ver a luz no fim do túnel, a manter o caminho que eu escolhi e principalmente, pq vc se dispôs a ouvir e conseguiu entender que “soluções antigas não resolvem problemas novos” (murilo gun)

Um beijo pra vc… em breve o Dan vai passar um tarde na sua casa.

Amo vc, só para constar

beijos

Carol

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